sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Suposta alegria

Alguns textos deste blog vinham criticando a inércia dos populares, da CLDF, da mídia, da justiça etc, frente ao suposto envolvimento do Governado José Roberto Arruda em um suposto esquema de corrupção. As supostas imagens saltaram aos olhos de todos, juntamente com a palavra suposta, nunca tão pronunciada anteriormente, pelo menos ao que me lembre. Mas a suposta justiça reagiu e prendeu o suposto corrupto, após a denúncia de suposto suborno a um suposto jornalista. Ele está numa suposta prisão, e não pude controlar minha suposta alegria. Se tivesse um suposto filho, diria supostamente orgulhoso: - Isso é o que supostamente acontece com quem supostamente rouba em nosso país, meu filho. Valeu pessoas de bem, como supostamente eu também sou, que atuam no Ministério Público, na Polícia Federal, na Justiça e nos movimentos sociais – especialmente o Fora Arruda! Ô vontade de ser uma mosca! especialmente agora que está num quarto menor, sem banheiro, sem TV, sem nada. Não deixemos de aproveitar este momento, mas não acreditemos em suposições vazias do ele possa vir a significar efetivamente.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um escrito antigo

Mexendo nas minhas coisas, encontrei um escrito que fiz há uns dez anos. Tem inocência, mas também tem verdade, e na verdade esses sentimentos estavam adormecidos, mas voltaram com muita força. Na época o Augusto fez até uma música.

Dia cinza

E o dia continua cinza e a flor já não tem mais aquele perfume

Aliás, já não se fala mais de flores, ao invés, cartões internautas

O cheiro que atrai agora é o da gasolina e do papel moeda

Não quero participar dessa cumplicidade criminosa que nos cega

Mas não tenho a quem gritar então eu grito ao vento, quem sabe ele leve tais pensamentos para as nuvens e estas façam chuvas, lavem as almas dos homens de tanta indiferença, ignorância hipocrisia

Vejo todos abaixarem as cabeças e não vêem o horizonte que é turvo, mas está lá

Chega de sonhar o sonho do outro, sejamos originais em nosso querer

Chega de falar de tudo e não dizermos o que queremos dizer

Vamos desconectar e nos darmos as mãos, fazer uma teia. Lembrar que somos humanos

Ainda sentados esperando as soluções, a resposta está mais próxima

E o tempo passa e se esperarmos mais pode ser tarde

Já é hora de mudarmos esses dias cinzas

Esquecer a tela e olhar no olho, ver o outro além da máscara, se mostrar além da carne

Lembrar que o ontem ainda agora foi hoje, e que o amanhã daqui a pouco é o agora

Lembremos que não estamos em uma novela e temos coração

E que passemos pelas horas sem apenas assistirmos elas passarem por nós

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Fim de ano: A festa!

Não é muito deste blog tratar de frivolidades, mas quero mostrar que também sei falar de festa, ora! Ainda mais tendo encontrado um grande amigo, que há tempos não o via. É um amigo daqueles que a gente passa um tempão sem se ver e quando encontra se xinga, se abraça, fala da vida, fala delas, enfim como se o tempo não tivesse diminuído em nada a confiança e a cumplicidade construída anteriormente, como de fato não diminuiu. Dentre tantas outras coisas, ele me contou que tava de emprego novo e que tinha participado da tradicional festa de fim de ano da empresa, como o relato daquele evento era inédito para mim, imagino que também o seja para o leitor, que nunca participou de nada parecido. Vamos a ela.

Esse meu amigo, ah, desculpem, o nome dele é Juliano, sempre foi um cara muito esforçado, estudioso, dotado de competências e habilidades que o mercado de trabalho gosta. Aliás, mercado de trabalho é uma expressão que diz tudo: você é um produto numa prateleira; os clientes vão querer o melhor pelo menor preço; e tem gente/produto que nem consegue chegar lá, é refugo, lixo. Mas este não é o caso dele, foi selecionado por uma grande empresa, dessas que realmente só contratam os melhores, currículo, processo seletivo (aquelas dinâmicas que você tem que desenhar, fazer bonecos, amontoar-se com os demais num quadrado imaginário no chão, dizer um monte de coisas que não pensa, sabotar os demais participantes sem, no entanto, parecer egoísta, e tudo mais) ou seja, mostrou que era o melhor sabão em pó daquela seção de limpeza – seção com ç mesmo, eu conferi.

Pouco tempo depois já eram as tradicionais festividades natalinas, tempo em que todos ficam bonzinhos, dóceis, amigo oculto, arrependido pelo que fez, planejando o que fará (agora vai!), e todo etc que vocês já sabem. Chegou o convite para a festa da empresa, uma contribuição simbólica, dessas que daria para ir a qualquer “open-bar”, “prive” em Brasília, esporte fino. O assunto até o dia só foi esse. Eis que chega o grande dia, ia ser no próprio edifício da empresa, tinha um grande salão de festas, após o expediente, 19:00h. As colegas chegaram para trabalhar, é necessário dizer que estavam todas com chapinha e o rosto totalmente desfigurado de tanta maquiagem? Não, né? Certo, 19:00h meu amigo vai pro salão e... ninguém. Ele não sabia que também não deveria ter ido aquela hora, mas chegado depois com cara de pressa e alívio de quem teve que terminar algo extremamente importante que estava fazendo, afinal o mais importante é a empresa, quando na verdade não aguentava mais olhar coisas na internet, estava até vendo os .pps daqueles chatíssimos que entopem as nossas caixas. As pessoas começam a chegar, chopp, boa noite, comprimentos entre aquelas pessoas que dizem que se odeiam durante todo ano. Os diretores acompanhados dos seus capachos, Juliano achou graça quando, observando que a bebida do diretor estava para acabar, dois desses puxa-saco esbarraram-se de tanta vontade de ir buscá-la e demonstrar proatividade, presteza, dinamismo, acabou saindo uma bela trapalhada, pois o garçom que passava atrás foi atingido e copos ao chão, é fim de ano, sorrisos amarelos. Apesar de homem e hétero, o meu amigo é bem ligado em questões de gênero, raça, etc, e viu que tinha também diretorAs, é, como em todo lugar, elas estão chegando, é o óbvio, o justo, mas aí veio a necessidade de adaptar o termo 'baba-ovo” quando o chefe for chefa, afinal tudo tem que estar conforme, algumas sugestões lhe vieram à cabeça: “lambe-xota”, “chupa-teta”, devaneios de quem está totalmente perdido num lugar que antes parecia tão seu. O DJ tocou a sequencia universal do momento, claro terminando em funk, bebida, danças ridículas, todos riem, meninas se aproximam dos diretores, sorrisos, mesmo daquelas que vivem o ano inteiro na TPM, parece que a confraternização é o melhor momento para mostrar as suas virtudes, alegria, paz, harmonia. Quer ir embora, será que o bar do Bené ainda tá aberto?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Haiti

"Não cai uma folha de uma árvore se Deus não permitir"

Deus, papo sério, exijo explicações sobre o Haiti

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

2010 - dez mandamentos

Voltamos, também sou filho e mereço algum descanso, mas já deu. Começo o ano com algo que li nesses dias lendo sobre João Ubaldo Ribeiro, são os dez conselhos que seu pai, Manoel Ribeiro, dava ao filho:

1. Não seja irresponsável;
2. não seja colonizado;
3. não seja calado;
4. não seja ignorante;
5. não seja submisso;
6. não seja indiferente;
7. não seja amargo;
8. não seja intolerante;
9. não seja medroso;
10. não seja burro!

Não me importo em começar o ano plagiando, tudo é plágio, mas existe o plágio do bem, quando se copia uma boa idéia para o bem da humanidade, e o plágio do mal, quando a Record cria a Fazenda - copiando e conseguindo piorar o que parecia impossível de ser pior, o BBB da Globo. Aliás, cada vez mais estou convencido do que diz Bakhtin: o nosso discurso está sempre carregado de outros discursos. E, quanto mais eu leio, mais percebo que todas as minha sacadas brilhantes já foram pensadas por outros caras, esses realmente brilhantes, e elaboradas de forma muito mais interessante. Penso até em parar de escrever, sempre mais do mesmo, mas é mais do mesmo prá quem, né? Bom, Imensa massa de 5 seguidores, sigamos os conselhos do Seu Manoel neste ano, especialmente o último!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Dois verdes

Nos últimos dias/meses, para quem mora em Brasília, observamos dois verdes em questão. O primeiro de caráter universal, o meio ambiente do planeta, o segundo é local, a erva daninha chamada Arruda.

O resultado para o primeiro, Planeta, foi extremamente decepcionante, de dar medo no mais desavisado habitante. “Os caras” não estão nem aí pro que vai dar, aliás, já está dando, a exploração voraz das nossas matas, águas e ar. Fazendo talvez a pior metáfora que já fiz, não sei se por falta de inteligência ou dado o horror que a situação me causa, mas vamos lá.

Tinha uma festa, um banquete posto com toda bebida e comida pra Dionísio, Magali (personagem do Maurício de Sousa), botar defeito. No entanto, chegou uma galera devorando tudo com toda selvageria que a civilização é capaz. Comeram todos os salgadinhos, docinhos, bolos, e demais especiarias, beberam mais que carro com motor V6 desregulado. Aí, quando tava quase tudo acabando, alguém disse: Galera, peraí! Vamo dá uma diminuída no ritmo, senão a festa vai acabar agora, ainda nas primeiras horas da noite, quando a intenção, e a quantidade inicial de guarnições permitiria isso, era durar uma estação. Mas as turmas dos Estranguladores Usurpadores da Antárdida (EUA), Unidos Exploraremos (UE), Adoradores do Mal (não do Mao) e Fókio não estavam nem um pouco afim de colaborar. Disseram que iriam continuar comendo tudo e os demais que poupassem as suas reservas de coxinhas e Baré, que inclusive eles iriam comer também quando acabassem definitivamente com as suas, como sempre fizeram. Resumindo, não houve acordo, nem de mentirinha, é o Foda-se agora sendo oficializado. O problema é que quando a festa acabar não vamos para casa reclamando dos organizadores da festa, vamos morrer, isso mesmo, assustou-se? Vamos morrer.

Já a nossa erva daninha e toda sua família das herbus corruptus estão com o destino exatamente oposto ao do outro. Vão continuar onde estão, ou alguém acha que não? Imagine que você, seu irmão e sua mãe são uma quadrilha, então roubam uma joalheria, o circuito interno filma tudo e vocês então serão julgados. Para sua mãe e vocês serem julgados será necessário o voto de pelo menos dois, num universo de três: você, seu irmão e a empregada. Você e seu irmão vão votar a favor ou contra, tendo aparecido também nas gravações do sistema interno?

Como lutar contra tudo isso? Como?! É a meia dúzia ir pra rua e apanhar da polícia em Copenhagem ou em Brasília? É um imbecil, hipócrita ficar escrevendo coisas num blog que ninguém lê? Não, não é nada disso, também não sei o que é.

É... o mundo vai acabar, enquanto não acaba ele acaba comigo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Uma Tragédia no Vale da lua

Um casal morreu afogado no Vale da Lua

Esse vale é um dos lugares mais belos da Terra

Esse vale não parece desse mundo

O amor entre os dois também não era

Amantes não arriscam-se mais uns pelos outros

O amor quis preservar-se e fugiu pela cratera

Aos queridos que ficam, fica o consolo das noites de Lua cheia

Eles estarão lá, vivendo um amor de verdade, não mais possível cá.