quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Fim de ano: A festa!

Não é muito deste blog tratar de frivolidades, mas quero mostrar que também sei falar de festa, ora! Ainda mais tendo encontrado um grande amigo, que há tempos não o via. É um amigo daqueles que a gente passa um tempão sem se ver e quando encontra se xinga, se abraça, fala da vida, fala delas, enfim como se o tempo não tivesse diminuído em nada a confiança e a cumplicidade construída anteriormente, como de fato não diminuiu. Dentre tantas outras coisas, ele me contou que tava de emprego novo e que tinha participado da tradicional festa de fim de ano da empresa, como o relato daquele evento era inédito para mim, imagino que também o seja para o leitor, que nunca participou de nada parecido. Vamos a ela.

Esse meu amigo, ah, desculpem, o nome dele é Juliano, sempre foi um cara muito esforçado, estudioso, dotado de competências e habilidades que o mercado de trabalho gosta. Aliás, mercado de trabalho é uma expressão que diz tudo: você é um produto numa prateleira; os clientes vão querer o melhor pelo menor preço; e tem gente/produto que nem consegue chegar lá, é refugo, lixo. Mas este não é o caso dele, foi selecionado por uma grande empresa, dessas que realmente só contratam os melhores, currículo, processo seletivo (aquelas dinâmicas que você tem que desenhar, fazer bonecos, amontoar-se com os demais num quadrado imaginário no chão, dizer um monte de coisas que não pensa, sabotar os demais participantes sem, no entanto, parecer egoísta, e tudo mais) ou seja, mostrou que era o melhor sabão em pó daquela seção de limpeza – seção com ç mesmo, eu conferi.

Pouco tempo depois já eram as tradicionais festividades natalinas, tempo em que todos ficam bonzinhos, dóceis, amigo oculto, arrependido pelo que fez, planejando o que fará (agora vai!), e todo etc que vocês já sabem. Chegou o convite para a festa da empresa, uma contribuição simbólica, dessas que daria para ir a qualquer “open-bar”, “prive” em Brasília, esporte fino. O assunto até o dia só foi esse. Eis que chega o grande dia, ia ser no próprio edifício da empresa, tinha um grande salão de festas, após o expediente, 19:00h. As colegas chegaram para trabalhar, é necessário dizer que estavam todas com chapinha e o rosto totalmente desfigurado de tanta maquiagem? Não, né? Certo, 19:00h meu amigo vai pro salão e... ninguém. Ele não sabia que também não deveria ter ido aquela hora, mas chegado depois com cara de pressa e alívio de quem teve que terminar algo extremamente importante que estava fazendo, afinal o mais importante é a empresa, quando na verdade não aguentava mais olhar coisas na internet, estava até vendo os .pps daqueles chatíssimos que entopem as nossas caixas. As pessoas começam a chegar, chopp, boa noite, comprimentos entre aquelas pessoas que dizem que se odeiam durante todo ano. Os diretores acompanhados dos seus capachos, Juliano achou graça quando, observando que a bebida do diretor estava para acabar, dois desses puxa-saco esbarraram-se de tanta vontade de ir buscá-la e demonstrar proatividade, presteza, dinamismo, acabou saindo uma bela trapalhada, pois o garçom que passava atrás foi atingido e copos ao chão, é fim de ano, sorrisos amarelos. Apesar de homem e hétero, o meu amigo é bem ligado em questões de gênero, raça, etc, e viu que tinha também diretorAs, é, como em todo lugar, elas estão chegando, é o óbvio, o justo, mas aí veio a necessidade de adaptar o termo 'baba-ovo” quando o chefe for chefa, afinal tudo tem que estar conforme, algumas sugestões lhe vieram à cabeça: “lambe-xota”, “chupa-teta”, devaneios de quem está totalmente perdido num lugar que antes parecia tão seu. O DJ tocou a sequencia universal do momento, claro terminando em funk, bebida, danças ridículas, todos riem, meninas se aproximam dos diretores, sorrisos, mesmo daquelas que vivem o ano inteiro na TPM, parece que a confraternização é o melhor momento para mostrar as suas virtudes, alegria, paz, harmonia. Quer ir embora, será que o bar do Bené ainda tá aberto?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Haiti

"Não cai uma folha de uma árvore se Deus não permitir"

Deus, papo sério, exijo explicações sobre o Haiti

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

2010 - dez mandamentos

Voltamos, também sou filho e mereço algum descanso, mas já deu. Começo o ano com algo que li nesses dias lendo sobre João Ubaldo Ribeiro, são os dez conselhos que seu pai, Manoel Ribeiro, dava ao filho:

1. Não seja irresponsável;
2. não seja colonizado;
3. não seja calado;
4. não seja ignorante;
5. não seja submisso;
6. não seja indiferente;
7. não seja amargo;
8. não seja intolerante;
9. não seja medroso;
10. não seja burro!

Não me importo em começar o ano plagiando, tudo é plágio, mas existe o plágio do bem, quando se copia uma boa idéia para o bem da humanidade, e o plágio do mal, quando a Record cria a Fazenda - copiando e conseguindo piorar o que parecia impossível de ser pior, o BBB da Globo. Aliás, cada vez mais estou convencido do que diz Bakhtin: o nosso discurso está sempre carregado de outros discursos. E, quanto mais eu leio, mais percebo que todas as minha sacadas brilhantes já foram pensadas por outros caras, esses realmente brilhantes, e elaboradas de forma muito mais interessante. Penso até em parar de escrever, sempre mais do mesmo, mas é mais do mesmo prá quem, né? Bom, Imensa massa de 5 seguidores, sigamos os conselhos do Seu Manoel neste ano, especialmente o último!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Dois verdes

Nos últimos dias/meses, para quem mora em Brasília, observamos dois verdes em questão. O primeiro de caráter universal, o meio ambiente do planeta, o segundo é local, a erva daninha chamada Arruda.

O resultado para o primeiro, Planeta, foi extremamente decepcionante, de dar medo no mais desavisado habitante. “Os caras” não estão nem aí pro que vai dar, aliás, já está dando, a exploração voraz das nossas matas, águas e ar. Fazendo talvez a pior metáfora que já fiz, não sei se por falta de inteligência ou dado o horror que a situação me causa, mas vamos lá.

Tinha uma festa, um banquete posto com toda bebida e comida pra Dionísio, Magali (personagem do Maurício de Sousa), botar defeito. No entanto, chegou uma galera devorando tudo com toda selvageria que a civilização é capaz. Comeram todos os salgadinhos, docinhos, bolos, e demais especiarias, beberam mais que carro com motor V6 desregulado. Aí, quando tava quase tudo acabando, alguém disse: Galera, peraí! Vamo dá uma diminuída no ritmo, senão a festa vai acabar agora, ainda nas primeiras horas da noite, quando a intenção, e a quantidade inicial de guarnições permitiria isso, era durar uma estação. Mas as turmas dos Estranguladores Usurpadores da Antárdida (EUA), Unidos Exploraremos (UE), Adoradores do Mal (não do Mao) e Fókio não estavam nem um pouco afim de colaborar. Disseram que iriam continuar comendo tudo e os demais que poupassem as suas reservas de coxinhas e Baré, que inclusive eles iriam comer também quando acabassem definitivamente com as suas, como sempre fizeram. Resumindo, não houve acordo, nem de mentirinha, é o Foda-se agora sendo oficializado. O problema é que quando a festa acabar não vamos para casa reclamando dos organizadores da festa, vamos morrer, isso mesmo, assustou-se? Vamos morrer.

Já a nossa erva daninha e toda sua família das herbus corruptus estão com o destino exatamente oposto ao do outro. Vão continuar onde estão, ou alguém acha que não? Imagine que você, seu irmão e sua mãe são uma quadrilha, então roubam uma joalheria, o circuito interno filma tudo e vocês então serão julgados. Para sua mãe e vocês serem julgados será necessário o voto de pelo menos dois, num universo de três: você, seu irmão e a empregada. Você e seu irmão vão votar a favor ou contra, tendo aparecido também nas gravações do sistema interno?

Como lutar contra tudo isso? Como?! É a meia dúzia ir pra rua e apanhar da polícia em Copenhagem ou em Brasília? É um imbecil, hipócrita ficar escrevendo coisas num blog que ninguém lê? Não, não é nada disso, também não sei o que é.

É... o mundo vai acabar, enquanto não acaba ele acaba comigo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Uma Tragédia no Vale da lua

Um casal morreu afogado no Vale da Lua

Esse vale é um dos lugares mais belos da Terra

Esse vale não parece desse mundo

O amor entre os dois também não era

Amantes não arriscam-se mais uns pelos outros

O amor quis preservar-se e fugiu pela cratera

Aos queridos que ficam, fica o consolo das noites de Lua cheia

Eles estarão lá, vivendo um amor de verdade, não mais possível cá.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Metapoesia em "Você não vale nada"

Tem sido bastante recorrente a crítica ao atual nível das composições das letras das canções nacionais. O que entendo ser um equívoco, uma análise estreita que não se permite enxergar o verdadeiro sentido do que os autores e músicos estão querendo trazer para o grande público. Escolhi, para mostrar o quanto esta avaliação é rasa, uma letra subestimada, tratada como algo banal, que diz que mesmo traído e desprezado o “corno” ainda fica atrás da pessoa amada. Vamos lá.

Entendemos que a principal chave para desvelar a real intenção do eu lírico é descobrir quem é o “você” da letra. Após debruçar-me com afinco na busca dessa resposta, acredito, humildemente, aliás a postura do crítico deve sempre ser de humildade frente ao seu objeto de análise, ter achado: a poesia! Isso mesmo, o autor mostra-se numa relação conflituosa com a poesia, poesia enquanto a vivência lírica, a experienciação poética no sentido mais amplo. Num mundo em que a questão da utilidade tem colocado a arte em segundo, terceiro, último plano, o poeta afirma que, mesmo não valendo nada – sem valor de uso ou de troca – ele gosta da poesia. Mas não é harmoniosa essa relação, pois logo em seguida o poeta questiona-se: Por quê? Afinal o que atrai tanto na poesia, a ponto de ser o “Tudo” que o poeta gostaria de entender na vida, evidenciando um movimento de exaltação do valor da lírica na sua existência.

Você não vale nada,
Mas eu gosto de você!
Você não vale nada,
Mas eu gosto de você!
Tudo que eu queria
era saber Porquê?!?
Tudo que eu queria
era saber Porquê?!?

Continua discutindo essa relação de amor e ódio com a poética:

Você brincou comigo,
bagunçou a minha vida
E esse meu sofrimento
não tem explicação.
Já fiz de quase tudo tentando te esquecer
Vendo a hora morrer
não posso me acabar na mão

A poesia brincou, uma clara menção ao elemento lúdico, do latim ludere, presente na construção poética desde Homero. A poesia brinca no movimento de mostrar e esconder a realidade, de ir na profundidade do ser humano a partir do que tem de mais superficial e isso desestabiliza o que o poeta chama de “bagunçou a minha vida”. Tenta esquecer e não consegue, quase um vício, uma necessidade da qual não pode fugir e ao mesmo tempo sente o transcorrer da vida sem conseguir desligar-se da busca da sua musa, então escreve, escreve, escreve, daí não querer “acabar na mão”, dado o esforço extremo que a construção da grande obra poética exige.

Outro ponto alto dessa canção é quando o poeta dá voz para que a própria poesia fale, na música cantada essa outra voz é marcada pela mudança do cantor para a cantora (um movimento sonoro belíssimo!):

Eu quero ver você sofrer
Só pra deixar de ser ruim
Eu vou fazer você chorar, se humilhar
Ficar correndo atras de mim

Temos aqui a poesia apresentando-se como um elemento de purificação da alma humana, sendo esse processo de purificação, de redenção, sempre marcado pela imposição da dor e sofrimento (Jesus, Édipo) nos escritos clássicos. Daí querer ver o poeta sofrer para deixar de ser ruim. Mesmo após o choro e a humilhação o poeta não deixará de correr atrás da poesia, ainda que nunca a encontre ele continuará essa busca que entende ser o único meio de conseguir compreender sua existência e suportá-la.

Bem, poderia expandir mais essa análise, mas como o blog tem a proposta de não demorar muito em suas explanações, fico por aqui. Espero ter contribuído para uma melhor compreensão dessa obra prima de nossa nova música, mesmo sem ter dado conta de sua complexidade, pelo menos iniciemos uma discussão mais ampla dessa arte que está aí e quer ser entendida.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Resposta do Marcelo Tas a uma provocação minha

Em visita ao blog do Marcelo Tas, dá pra ter uma noção da falta do que fazer que eu estava - insônia-, ele exibia, orgulhoso, o fato de seu livro sobre as frases do Lula estar em 4º lugar na lista dos mais vendidos da revista que mostra as coisas como quer que você VEJA. Copio abaixo o meu comentário e a resposta dele, deixo pra você, leitor, caso exista, a análise dos argumentos ora apresentados. Não posso deixar de parabenizá-lo por ter deixado o comentário ser postado.

[Carlos Eduardo Vieira da Silva] [Brasilia] [28] [Professor] Decepção. Infelizmente, mais uma vez me decepciono com uma figura pública: Marcelo Tas. O livro evidencia um preconceito extremo com um brasileiro que não teve acesso à educação formal, no entanto, sua vida foi uma escola e ensina nas suas mensagens extremamente simples e claras (metáforas de futebol, pai de família etc). O CQC, no começo, me parecia um programa sério (no sentido de estar realmente querendo criticar deliberadamente as questões fundamentais do país- corrupção, alienação cultural etc), contudo, apresenta-se como um programa de uma turma pequeno burguesa paulista, realmente uma grande pena. Entendo, vocês devem ao Capital (grupo bandeirantes), mas não precisava ser tanto. Apoio deliberado ao Serra e Kassab é o fim da picada. Dizer que a Veja é perdoável é assumir-se direitista, preconceituoso, elitista e tudo mais que nós, que ainda acreditamos na mudança do país, entendemos serem as pragas da nação. Tas, leia, se já leu leia de novo, Sérgio Buarque, Caio Prado,Furtado.

RESPOSTA:Deputado Vicentinho, companheiro de Lula, teve muito menos condições que o presidente à educação formal, mas foi à luta. Fez supletivo, Telecurso 2000, e hoje é um bacharel em Direito. Por que você diz que Lula não teve acesso ao conhecimento? Quem o impediu senão ele mesmo? Não entendo o por quê de figuras como você, um professor, fazerem a apologia dos iletrados. Ora, professor, vamos louvar o estudo, não a falta dele!